Clarões de mar nas minhas pestanas... Clarões me assaltam, me embalam; e me ocorrem cada vez mais fortes, cada vez mais claros... É como um feitiço... Estamos no meio da aula, o professor fala baixinho... A brisa também me embala e me desconcentra...
Grunhidos de gaivotas nas minhas orelhas... Gritos parecidos a lamúrios humanos! Augúrio confuso, indecifrável de gaivotas... Menos do que isso e alguns ficam loucos...
Balouçar de velas, choque de canoas... Roncar de proas e popas ao longo do porto...
Uma caravela! Vejam só; são águas-vivas! Uma infinidade delas, em verdade... Se exibem, passam lentas... Sabem que fascinam a nossa vista.
Os tubarões dormem lá embaixo, entre as algas... Estão tranquilizados, agora. Ontem mesmo eu os via, se agitavam, mais um ataque covarde... Mandíbulas de faca... Vermelhidões de passagem...
Os tubarões dormem lá embaixo, entre as algas... Estão tranquilizados, agora. Ontem mesmo eu os via, se agitavam, mais um ataque covarde... Mandíbulas de faca... Vermelhidões de passagem...
A rede sobe inchada das mãos do pescador... Garantiu-se a comida pra uma semana. Sua mulher me convida pra janta, um prato bem temperado... Sem dúvida alguma que eu vou; tenho meu lugar arranjado.
Focas que emergem penteando as ondas... Golfinhos passeando à pequena distância... Algumas nuvens que estacionam entre o sol e a minha cara...
O professor acima de mim, exigindo explanações sobre a aula ministrada.
O que vou lhe dizer agora? Eu estava em outros picos; na cabeça só movimentos marinhos... Eu tenho que lhe dizer qualquer coisa e de repente - o senhor também... professor... falava tão baixinho!
Não não - que merda eu disse? -, é que o senhor sabe, domingo eu fui pra praia, eu corri de barco eu comi mariscos me enterraram na areia... Mas ele diz - isso não é desculpa. Você não tá aqui de brincadeira! E principia o discurso batido...
Porque seus estudos, mocinho...
Os seus deveres...
Sua carreira. Sua família...
Me abarrota de palavras sem sentido... Aos poucos, habilidoso, fecho os ouvidos. Vejo sua boca se abrindo e fechando; taí o seu rosto se deformando, um olho menos brando. Ele até que me sacou rápido hoje! Me puxa de um tranco e vamos pra diretoria...
Assim é que é, quase todo dia... De novo com esse papo de mar, mocinho! Pois sim, diretora... Me toma, sei lá, - você precisa prestar atenção nas aulas! Pois eu não consigo! Vão me assaltando uns clarões, vão me invadindo... - e o que fazemos a seu respeito, então?
Eu sei lá, diretora...
Eu sei lá, diretora...
Talvez me deixassem ser esquisito.
1 comentários:
hahahaha! amei! lindo, bem humorado e sensível. até parece com vc!
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